SEJAM BEM VINDOS!

Muitas ideias que expressavam sonhos. Muitos ideais que se manifestaram na simples reflexão de ser útil além das funções que exercemos ao menos por um instante. Várias alternativas a nossa frente e muitos obstáculos.

Um dia percebi que deveria ser útil universalmente, pensei e pensei como ascender a esta condição, pois, não possuía nenhum dom especial. No entanto, sou um homem que gosta de escrever. Explorei este caminho, pois as palavras e ideias são muito poderosas e podem servir para inspirar pessoas na sua trajetória vital.

Sou historiador um guardião da memória e pesquisador. Sou poeta de expressões líricas e sociais. Não sei se o que penso é certo ou errado, mas sei que aprendo e ensino dentro de um contexto imperfeito.

Este é meu universo virtual, um lugar de divulgação de minhas humildes e imperfeitas obras literárias e científicas.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Relatos de um tamandareense. HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

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GEOGRAFIA (parte - 2)

(...) A imensa mata e o imponente mar-de-morros que admirava, ainda são timidamente pontilhados por algumas moradias e cortada pela Rodovia dos Minérios e uma solitária estrada de ferro. Porém, ao contemplar toda aquela beleza, imaginei de forma pessimista o futuro que espera aquela tamanha obra prima natural, baseado no progresso que dinamicamente, mas inconsequente se propaga na contemporaneidade. Então pensei: tudo que hoje observo, um dia, vai ficar apenas na imaginação de quem lê estas imperfeitas linhas descritivas. Espero que eu me engane quanto a esta perspectiva.
Neste momento de reflexão sobre o futuro de tudo que observava naturalmente disperso e harmônico, regredi em meus pensamentos. A um passado muito longínquo, em tempos onde a vida se ensaiava a aparecer na face do planeta Terra e o continente africano estava há um pouco mais de 130 quilômetros  de onde me encontrava. Isto porque, foi provavelmente no final da Era Geológica denominada de Pré-Cambriano no éon da Proterozoíca[1], que supostamente a base fundamental daquele relevo que sustentava toda aquela riqueza vegetal, se formou. Então pensei: como um Mar-de-Morro tão imponente deste, que se desenvolveu em um contexto de bilhares de anos, orientado por uma complexa sucessão de espigões alongados e vales em “V” profundos, que consequentemente formaram estes hoje desgastados morros, pode ser modificados em apenas décadas e séculos?
Conhecedor das diversas respostas que iriam aparecer, deixei de divagar sobre o futuro daquilo que via com mim mesmo, e voltei ao presente. Principalmente porque já estava recuperado do cansaço da íngreme subida, e involuntariamente estava decidindo para onde eu iria. Opção não faltava, já que o município possui aproximadamente 194,75 Km².[2] Mas o problema é que eu estava sobre o Primeiro Planalto Paranaense. O qual possui como umas de suas características principais, a variação de altitude do relevo que é de 850 á 950 metros acima do nível do mar, a qual a principio é bem notória na altitude do relevo tamandareense, que se encontra a 950 metros. Pois querendo ou não, a consequência disso aliada ao relevo acidentado resulta em trajetos com muitas variações de subidas e decidas.
Diante disto, resolvi passar pelas trilhas que levam até os morros da região do Sumidouro que margeiam a Rodovia do Calcário. Que ficavam de frente a antigas dolinas que com o tempo desapareceram. A de se destacar que a localidade recebeu esta denominação já em tempos que transcendem a década de 1920, justamente por causa dessas dolinas e do vale por onde passa o Rio Barigui o qual cria uma imagem de que o rio desaparece nele. Como também o nome se liga a própria característica da dolina, que é justamente o de captação de água (funciona como um ralo no período em que o rio transborda, diminuindo o impacto deste acontecimento natural para as regiões que se encontram nas proximidades por onde passa o rio)[3]. Da mesma forma, a região que margeia a Rodovia do Calcário é um grande brejo (várzea), ou seja, é uma espécie de “esponja” que capta também a água das inundações e abastece o aquífero, além de colaborar para que os impactos do excesso de água sejam amenizados. Por sorte existem legislações que protegem estas regiões. O problema é que supostamente se desconhecem elas e suas previsões legais.           
Quando cheguei ao topo, avistei a velha capelinha lá existente. Mas não gostei do que presenciei. Pois, a mesma estava em ruínas, devido à ação de vândalos que por lá passam e destrói uma parte da história de fé, tecida em ações pelo povo pioneiro de Tamandaré. Eis, que aquela capelinha foi erguida a mais de 70 anos. Tomei um fôlego e desci o morro e segui em direção a Tranqueira, utilizando-se de um caminho tranquilo que passa pela Rua Antonio Ferro, e se liga com a Rua Antonio G. Tozin, que leva até o Sindicato, onde entrei em um pedaço desativado da antiga estrada do Assungui, que margeia a ferrovia. (continua).
Ruínas da Capelinha do Morro do Sumidouro construída por Domingo Zanier na década de 1940/Foto: Antonio Kotoviski Filho, fevereiro de 2011




[1]              SCORTEGAGNA, ADALBERTO. A geologia, o relevo, e os recursos minerais. In: Paraná espaço e memória: diversos olhares históricos-geograficos. Curitiba: Bagozi, 2005, p.29.
[2]              IBGE CIDADES@. Almirante Tamandaré- PR. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=410040#> Acesso em: 28 dez de 2010.
[3]              CHRISTOFOLETTI, A. Geomorfologia. 2ª ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1980, p. 155.

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