SEJAM BEM VINDOS!

Muitas ideias que expressavam sonhos. Muitos ideais que se manifestaram na simples reflexão de ser útil além das funções que exercemos ao menos por um instante. Várias alternativas a nossa frente e muitos obstáculos.

Um dia percebi que deveria ser útil universalmente, pensei e pensei como ascender a esta condição, pois, não possuía nenhum dom especial. No entanto, sou um homem que gosta de escrever. Explorei este caminho, pois as palavras e ideias são muito poderosas e podem servir para inspirar pessoas na sua trajetória vital.

Sou historiador um guardião da memória e pesquisador. Sou poeta de expressões líricas e sociais. Não sei se o que penso é certo ou errado, mas sei que aprendo e ensino dentro de um contexto imperfeito.

Este é meu universo virtual, um lugar de divulgação de minhas humildes e imperfeitas obras literárias e científicas.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Relatos de um tamandareense. HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

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(Continuação...)
Uma lembrança rápida que geram outras. Eis, que involuntariamente lembrei-me destes fatos descritos anteriormente, para espontaneamente me lembrar de um mais antigo, só que ocorrido de forma natural ou místico (quem sabe?), que minha avó Odete um dia me contou.
Lembro-me que estávamos indo para Campo Magro, distrito na época de Almirante Tamandaré, quando no caminho, se comentou algo dentro do carro sobre uma curiosa Lagoa Feia. Curioso como qualquer criança da minha idade nesta época. Comecei a fazer perguntas sobre o que era aquela tal Lagoa Feia. Minha avó Odete Basso da Cruz, com seu jeito de italiano antigo de explicar as coisas, já foi direto a resposta, dizendo que era o lugar onde uma igreja católica tinha afundado, porque as pessoas haviam dançado dentro dela. Não satisfeito, com a resposta, perguntei se ela tinha visto isto acontecer. Ela respondeu que não. Porque, a Lagoa Feia já existia na época em que ela ainda era criancinha, mas que tinha medo de passar por perto, por causa da história que foi contada por seus pais.
Independente se foi castigo ou não, ou se o fato descrito se desenvolveu da forma contada, a Lagoa Feia existe, e realmente uma construção ali afundou. Tudo indica que foi devido ao terreno que não suportou aquele peso extra sobre ele, devido justamente a falta de sustentação que um pequeno lençol cárstico possuía ali. Mas este fato transcende as décadas de 90 do século XIX. Atualmente esta localidade, onde ocorreu este raro fenômeno geológico, pertence ao Município de Campo Magro.
Mal terminei de recordar tudo aquilo, me vi já em frente ao portão de casa. Mas continuava a carregar comigo aqueles fatos ocasionados por fenômenos geológicos, que me despertaram a curiosidade de saber mais sobre o tal Aquífero Kasrt, o qual após tomar um bom banho e fazer uma leve refeição, fui direto ao computador navegar pela rede mundial de computadores para pesquisar sobre ele.
Para minha surpresa descobri que o aquífero, se estende atualmente por mais de 5.740 km² aproximadamente. Praticamente abrangendo quase todos os municípios da Região Metropolitana Norte de Curitiba (Adrianópolis, Almirante Tamandaré, Bocaiúva do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Cerro Azul, Colombo, Doutor Ulisses, Itaperuçu, Rio Branco do Sul e Tunas do Paraná), o norte desta mesma região, além de dos municípios de Castro e Ponta Grossa.
Porém, o que me entristeceu, é ter lido uma informação, que o aquífero possivelmente já esteja sofrendo a contaminação por agrotóxicos utilizados há décadas nas culturas de hortaliças. Como também por resíduos líquidos industriais e orgânicos produzidos pelo homem e pela falta de conscientização da população e das autoridades referente ao seu comportamento descomprometido em preservar os recursos hídricos e consequentemente o meio ambiente.[1] No entanto, este comportamento humano já é considerado crime desde o advento da Lei Orgânica Municipal nº 37 do ano de 18 de setembro de 1979 que criava o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente. O qual em seu Artigo 3º citava: “é expressamente proibido o lançamento, de resíduo em qualquer estado da matéria ou forma de energia, proveniente de atividades humanas, em corpos de água na atmosfera ou no solo em que venham implicar em qualquer forma de poluição ou contaminação do meio ambiente, de acordo com o artigo 2ª”.  
Outro fato desolador é notoriamente perceber na cidade, que os principais meios de abastecimento do aquífero estão sendo impermeabilizados ou fechados por aterros e invasões. Isto sem contar que a nova Lei de Edificação do município claramente tipifica que qualquer ato de construções com distancia inferior a trinta metros das margens de um rio estão proibidas. Como também é crime ambiental de jurisdição nacional aterrar várzeas e dolinas. E o que é mais interessante, que estes textos legais não são contemporâneos como se apresentam em suas datas de promulgação. Mas sim, já são aperfeiçoamentos de legislações orgânicas, estaduais e federais da década de 1940. Ou seja, quando a cidade era Timoneira, já existia lei orgânica limitando a construções de prédios e protegendo várzeas e dolinas[2]. O problema, é que são poucos os que respeitam as leis. E por suas ações comprometeram a cidade.   
Como estava muito cansado e já passava das dez horas da noite, resolvi parar de navegar na rede, e fui dormir. Porém, parcialmente satisfeito, já que fiquei curioso sobre outros assuntos relacionados à terra que me acolhe desde meus primeiros passos. (fim do capítulo).


[1]              RIO+10. Poluição já atinge Aqüífero Karst, Gazeta do Povo (PR), 10 de julho de 2002. Disponível em: <http://www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/RelatorioGestao/Rio10/riomaisdez/index.php.1194.html> Acesso em: 25 nov. 2010.
[2]              Relato espontâneo de Luciano Gulin (Secretario do Meio Ambiente do município na década de 1990), quando citou que no processo de criação da lei de zoneamento e construções do município, se depararam com uma legislação da década de 1940 que já denunciava a fragilidade do solo e a necessidade de proteção dos meios de abastecimento do aquifero. Natal de 2010.  

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